viernes 4 de diciembre de 2009

Vou ali e já volto - last part: London



Vou ali tomar um chá com a rainha e passar um pouco de frio, mas com o coração aquecido pelo reencontro familiar. Voltarei com duas ilustres visitas na minha bagagem.

As atividades deste blog estarão devagar quase parando até o dia 14 de dezembro, pelo apoio de todos muito obrigada.

Vão, mas voltem!!

Fui.

jueves 3 de diciembre de 2009

Hoje no meu DVD



"Jusqu'ici tout va bien, jusqu'ici tout va bien...Le plus dur c'est pas la chute mais l'atterissage."

Obra prima do cinema francês moderno. Casting, roteiro, direção, fotografia, diálogos, tudo nota 10. Para ver, rever e ver outra vez.

miércoles 2 de diciembre de 2009

Hoje no meu calendário

Feliz aniversário para o Astronauta João! Obrigada por ter aterrizado nesse planeta trazendo tantos sorrisos na bagagem. É um presente ser a sua dinda!

Clique aqui.

martes 1 de diciembre de 2009

Hoje no meu Ipod

Repeat, repeat and repeat it again.



"And you have been so busy lately, that you haven't found the time, to open up your mind, and watch the world spinning gently out of time."


*** Meu corpo ainda está aqui mas meu coração já está pulsando lá em Londres. Sigo metade presente...contando os dias, os minutos, os segundos. Bem-vindos ao continente europeu, família! Até breve. ***

lunes 30 de noviembre de 2009

Hoje na minha mesa de cabeceira

"Se você tem coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca de verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre pelo caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma... então a verdade não lhe será negada."

"Porém, o que me impede de agora me deixar levar por um clima completo de conto de fadas é a seguinte e sólida verdade, uma verdade que realmente se entranhou nos meus ossos ao longo dos últimos anos: eu não fui resgatada por um príncipe; eu administrei o meu próprio resgate."


Elizabeth Gilbert em Comer Rezar Amar

Sempre me dá muita pena quando chego ao fim de um livro que se converte em tão boa companhia, que me traz tanta identificação. Fiquei economizando as últimas páginas, lendo bem devagarzinho, com vontade de comer, rezar e amar...muito e ainda mais.

domingo 29 de noviembre de 2009

Low-bosta (o barato que sai caro)

Paguei 216€ por uma passagem de uma companhia aérea denominada low-cost, mais especificamente a Ryanair.

O preço já é o começo da contradição. Não sei que parâmetros usam para definir o termo "baixo custo", mas na minha opinião 216€ é uma quantidade razoável, pelo menos para me sentir no direito de ser minimamente bem tratada como cliente.

Então no dia seguinte a compra recebo de supetão o seguinte e-mail:

"Please note the following important information regarding cabin baggage:

• Strictly one item of cabin baggage is permitted per passenger (excluding infants) weighing up to 10kg with maximum dimensions of 55cm x 40cm x 20cm (your handbag, briefcase, laptop, shop purchases, camera etc. must be carried in your 1 permitted piece of cabin baggage).

• IMPORTANT - If you arrive at the boarding gate with more than one item of cabin baggage or if the item exceeds the maximum permitted dimensions or weight, we reserve the right to either refuse carriage of the item or where available airport staff may charge a fee of Euro35/GBP 35 to check the bag into the hold of the aircraft. If you are unsure if your cabin bag complies with our maximum permitted cabin bag weight and dimensions, please check with the staff at the Bag Drop Desk, before going through security."


Estou acostumada a viajar em low-cost sempre com a vueling/clickair. Nunca tinha viajado com a Ryanair e fiquei chocada com o tom desse e-mail. Tenho a impressão que me castigarão até se levo meu passaporte fora da minha ÚNICA bagagem de mão. Se nem a minha bolsa pode estar fora, como vou levar meus documentos?


E tratando-se de um cliente que mora na Espanha, não deveriam mandar o e-mail bilingue, também em Espanhol? Seria minimamente mais delicado. Eu por sorte entendo cada palavra do que dizem, mas e uma pessoa que não fala inglês?

Li em algum lugar que eles estavam pensando na possibilidade de cobrar também pelo uso dos banheiros durante o voo. Como não lembro a fonte dessa informação não posso garantir sua veracidade, talvez seja mais uma lenda urbana. Mas vi no telejornal, com esses olhos que a terra há de comer, que queriam permitir passageiros viajando de pé (low-cost = more-money), como se tratassem de um pau de arara lá do sertão.

Outro dia noticiavam também uma manifestação de pilotos, queixando-se que os tanques dos aviões já não eram enchidos com a capacidade máxima para economizar. Exigiam segurança já que um avião pode ser forçado a não aterrizar como previsto (isso pode acontecer por inúmeros motivos). O que fariam se o tanque está vazio?


A última indignação, só para finalizar: é obrigatório fazer o check-in online, senão eles te cobram 40€ extras para fazer o check-in no aeroporto... q-u-a-r-e-n-t-a-e-u-r-o-s.

Bem-vindos ao mundo low-cost, ou melhor dizendo low-respect, low-quality, low-security. Tenho a impressão que será a primeira e última vez que viajo com a Ryanair.


Que saudade daquela época que voar era chic.

jueves 26 de noviembre de 2009

Simples assim

Por que se preocupar com algo que vai passar?

martes 24 de noviembre de 2009

Azul da cor do mar - impulsos consumistas que valem a pena

Quando estava preparando minha viagem a Formentera em setembro, fui na Decathlon simplesmente para comprar o pé de pato.

Ledo engano acreditar que é possível sair de lá estritamente com o que pensava necessitar ao entrar. Um mundo de possibilidades se abriu diante dos meus olhos e saí com a sacola cheia. Algumas coisas eu sabia que seriam muito úteis, como a toalha de fibra que não ocupa espaço e se seca ultra rápido, ou a lanterninha minúscula e super potente.

Confesso que a câmara de fotos submarinas foi um impulso consumista desmedido e gerou alguns dramas de consciência. Mas... só custava 12€. Foi difícil resistir, principalmente porque já vinha com filme de 27 poses.


Durante a viagem achava que ela era um trambolho e não estava nada segura de que conseguiria um bom resultado. Mas, nunca melhor dito, quem está na água é para se molhar. Queimei sem pena as 27 exposições.

Na volta o filme ficou rolando de um lado pro outro aqui em casa. Na era digital já não é parte da rotina esse negócio antiquado de revelar fotos... só agora, 2 meses depois, finalmente as imagens vieram à luz.

Surpresa boa ver os resultados com a confirmação de que os 12€ foram bem investidos, principalmente porque a máquina não é descartável e a usarei nas próximas viagens ao mar (vai demorar... mas vai rolar!). Claro que os resultados não estão a altura da National Geographic, mas tão valendo.

Espero da próxima vez desenvolver uma técnica para não espantar os peixes, por enquanto só foi possível fotografar a sereia. :)

domingo 22 de noviembre de 2009

A feira de Acari é aqui



Hoje descobri um novo universo na rotina domingueira de Barcelona.

Todos os domingos vários comerciantes, na sua maioria ciganos, montam suas barracas e fazem um mercadão de rua enorme. Panelas, discos, brinquedos e principalmente roupas ocupam 3 ruas da Zona Franca. Tinha até creme Lancôme e cuecas Calvin Klein, tão verdadeiros quanto uma nota de R$ 3.

No melhor estilo feiral gritam suas ofertas com aquelas frases cômicas que só os vendedores de verdade sabem formular, tipo "mulher bonita não paga mas também não leva". Não faltam elogios, as ofertas 2x1 e a promessa de "moda y calidad", a frase mais usada pelos marqueteiros de plantão.


No meio desse ambiente folclórico, garimpando-se muito, é possível achar pérolas indispensáveis para um guarda-roupa bem abastecido. Comecei a excursão algo incrédula e terminei a manhã com 3 sacolas lotadas de coisas, muitas delas arrancadas do fundo de alguma montanha de trapos embolados.

O grande achado do dia foi um abrigo de lã preto, muito lindo (esse não foi resgatado de uma montanha, estava em um cabide civilizadamente me esperando) que com certeza será o uniforme desse inverno por apenas 35€.

O provador é ali na rua mesmo, por cima da roupa e o atendimento é self service. Um por todos, todos por um.


É fácil chegar lá com o ônibus nº 9 que sai da Plaza Catalunya e tem ponto final estrategicamente na rua da feira. Vale a pena a experiência.

sábado 21 de noviembre de 2009

Looking for flying saucers in the sky

Hoje sinto que poderia devorar o mundo. Sei que isso aqui tá parecendo mais um blog especializado em viagens mas na realidade não é a vida uma longa estrada em si?

Sinto o gosto de descobrir que as distâncias desse mundo podem ser irrelevantes. Agora com a passagem para Londres em mãos tenho certeza de que finalmente farei as pazes com uma cidade que entrou de supetão na minha vida 7 anos atrás.

Direto do túnel do tempo:

Em 2002 estava desanimada em Barcelona, com o coração meio partido e não tinha nada a perder. Ainda não existia a cachorra na minha vida, tampouco amarras. Coloquei algumas roupas na mochila e me mandei para Londres sem pensar muito como me viraria com pouquíssima grana em uma das cidades mais caras do mundo, mas a fé de que tudo daria certo superava o medo.

Tinha um amigo morando em uma casa com muitos brasileiros e me somei ao grupo. Havia semanas em que éramos 10 pessoas dividindo o mesmo banheiro... mas a casa tinha um jardim lindo onde, como já comentei aqui antes, recebíamos a visita de uma raposa e esquilos todas as manhãs.

Nos primeiros dias passava horas caminhando, porque isso é uma das poucas coisas grátis por lá. Descobri que os supermercados têm um sistema para se livrar da comida que está com a data de validade quase vencida: no fim do dia eles fazem liquidação de todos os tipos de produtos quase um 100% mais barato. Dessa maneira eu continuava comendo bem sem me arruinar financeiramente.

Na segunda semana, em uma dessas andanças consegui um emprego em uma pizzaria de Convent Garden, na qual o dono era um napolitano que se encaixava perfeitamente no perfil estereotipado do mafioso italiano: bruto, machista, prepotente e desonesto.

Minha função era servir mesas e odiar esse senhor. Para dar uma idéia do estilo dele: o cara ficava com grande parte da gorjeta dos empregados, descaradamente. Quando foi questionado sobre o tema justificou dizendo que era para cobrir os gastos dos pratos e copos que quebrávamos... unbelievable!

Além de tudo era um fascista: só ele podia manipular o aparelho de som e, como um torturador de Guantánamo, nos obrigava a ouvir o disco do Gipsy Kings o-d-i-a-t-o-d-o em modo repeat.

Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto di blu
Felice di stare lassu


Ele também nos obrigava a colocar as mesas e cadeiras pra fora para passar o pano de chão 2 vezes, todosantodia... sempre ao som dos Gipsy Kings, até a última gota.

Mas nesse cenário de terror laboral também vivi uma coincidência inesquecível. Um dia estava varrendo o restaurante e vejo uma pessoa com um ar familiar entrando pela porta. Penso que não podia ser possível, mas reconheci que era uma amiga que tinha sido muito próxima na época da faculdade. Foi emocionante reencontrá-la dessa maneira. Ela estava procurado trabalho e acabou ficando na outra filial da pizzaria.

Pouco depois uma das minhas companheiras de casa também começou a trabalhar comigo e por incrível que pareça ríamos muito juntas, principalmente depois que descobrimos que a cozinha estava habitada por uma família numerosa de ratos.

Em paralelo a essa tortura medieval perambulávamos pela modernidade da cidade. Visitando museus, babando no Tate Modern, fuçando em lojas, investigando todas as novidades musicais na Virgin Store, sonhando ter dinheiro para comprar todos os cosméticos do The Body Shop ou saltitando por Portobello Road, sempre fotografando muito. Tinha até um bar favorito, o Notting Hill Arts Club. E descobri que Londres é uma cidade colorida, que pulsa de uma maneira única. Tudo, absolutamente tudo no mundo cabe lá dentro.

Mas uma sensação era inevitável: me sentia pobre... sério e sem dramas, viver com pouca grana em Londres é muito difícil e principalmente frustrante. Eu andava com um obsoleto Discman ouvindo Henri Salvador pra cima e pra baixo, mas nem a música francesa era capaz de amenizar a pressão psicológica de sentir que tudo aquilo ultrapassava os limites da minha fé.

Foi então que depois de quase dois intensos meses em território londrino eu decidi pegar o meu banquinho e sair de fininho. Botei a viola no saco e voltei correndo para a minha amada Barcelona, onde tinha deixado tudo em standby por pura precaução.

Back to the future:

Daqui a 15 dias poderei de novo ver as minhas esquinas favoritas, abraçar forte o Tate Modern e comer comida tailandesa em Camden Town em companhia da minha sister e do meu sobrinho. Me belisca que eu nem acredito.

Principalmente já constato com antecipação que nada melhor que um dia atrás do outro, para 7 anos depois poder voltar com a certeza de que nada foi em vão, que tudo aquilo foi fundamental e enriquecedor. Eu levo um pedaço de Londres em mim.

"Por algum tempo que afinal passou depressa, como tudo tem de passar. Hoje eu me sinto como se ter ido fosse necessário para voltar. Tanto mais vivo de vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá."